Valorização da eleição para o Poder Legislativo

Com o objetivo de criar uma discussão sobre a equivocada centralidade da eleição ao executivo, o Movimento Voto Consciente – Núcleo Santos, realizou durante o mês de agosto de 2008, um levantamento junto aos partidos políticos de Santos, a partir de um questionário elaborado pelo grupo, com a finalidade de tentar aferir o comportamento dos partidos políticos frente a eleição para o poder legislativo.

Nessa pesquisa procuramos verificar, dentre outras coisas, qual o grau de importância que estes dão a eleição para o legislativo, de que maneira escolhem seus candidatos e como contribuem com seus candidatos durante a campanha. 

Dos 27 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a saber: PMDB, PTB, PDT, PT, DEM, PCdoB, PSB, PSDB, PTC, PSC, PMN, PRP, PPS, PV, PTdoB, PP, PSTU, PCB, PRTB, PHS, PSDC, PCO, PTN, PSL, PRB, PSOL e PR, só localizamos na cidade de Santos, com o auxilio do Fórum da Cidadania, 24 partidos políticos. 

Não encontramos o PTdoB, PHS e PCO. E este foi talvez o principal desafio do levantamento realizado. Localizar o endereço dos diretórios municipais e respectivos presidentes destes partidos. Os “sites” dos partidos na internet, não disponibilizam estas informações. O questionário foi enviado para os 24 partidos políticos. Destes somente 5 partidos políticos (20,83%) responderam, a saber: PSDB, PT, PSDC, PCdoB e PV.

Dentre as respostas recebidas, observou-se que todos os partidos políticos dão muita importância para a eleição proporcional, concedem aos candidatos apoio político, cursos de capacitação e até assessoria jurídica e contábil, porém não se nota uma efetiva contribuição material o que pode trazer limitações às campanhas de candidatos com poucos recursos financeiros, levando-os a busca desenfreada por recursos financeiros para bancar suas campanhas, o que pode se traduzir num possível comprometimento na atuação daqueles que forem eleitos. 

Um outro fato que chamou a atenção dentre as respostas recebidas foi o tempo de filiação partidária dos candidatos ao legislativo. Muitos tem de 1 a 2 anos de filiação partidária, o que pode representar pouca identificação com o projeto político do partido para a sociedade.

Apenas 2 partidos políticos (PSDC e PCdoB), dentre os que responderam, não possuem candidatos com mandato na atual legislatura. Entre aqueles partidos políticos que tem candidatos com mandato na atual legislatura, o tempo de filiação partidária é de no mínimo 5 anos. A exceção ficou para o PV, pois possui candidato com mandato na atual legislatura com um 1 ano de filiação partidária.

Dentre os critérios apontados pelos partidos para a escolha dos candidatos ao legislativo, verificou-se nas respostas recebidas, que foram escolhidos aqueles engajados em políticas sociais, sindicais, compromissados com os ideais do partido, além dos que possuem boa densidade de votos em diversas áreas da sociedade.

Pelo levantamento realizado nota-se que é preciso aperfeiçoar o processo de escolha de candidatos pelos partidos, além das condições oferecidas por estes aos candidatos. Assim, como visto anteriormente, faz-se necessária uma maior valorização da eleição para o legislativo tanto por parte dos partidos políticos como dos cidadãos e cidadãs. 

Sistema político

O nosso sistema político é constituído pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O poder Executivo tem um formato piramidal sendo preenchido de cima para baixo. Escolhe-se, através da eleição, o chefe do Executivo. No caso do município, o chefe do executivo é o prefeito. É ele quem edifica a pirâmide do poder nomeando seus secretários. 

O Poder Judiciário também tem um formato piramidal só que é preenchido de baixo para cima. Este poder é o único, dentre os três poderes, que seus representantes não são escolhidos através do processo eleitoral, sua constituição se dá através de concurso público, com exceção do Supremo Tribunal Federal (STF), cujo presidente é nomeado pelo Presidente da República.

O Poder Legislativo é o mais democraticamente construído, é uma assembléia, cujo formato pode ser comparado a um círculo, seus integrantes são todos eleitos, representando, em tese, todos os interesses da sociedade. No nosso regime republicano, ele é também em tese, o poder maior. No caso do município, é constituído pelos vereadores. 

O Executivo não pode se mover sem autorização legal e é fiscalizado pelo Legislativo, que pode até destituir seu chefe. O Executivo promulga as leis, mas o Legislativo tem a palavra final, na eventual rejeição de seus vetos. A chave dos cofres públicos, que fica em poder do Executivo, precisa de um segredo para ser usada. E este é a lei orçamentária votada pelo Legislativo. O Judiciário, por sua vez, julga a partir de leis aprovadas pelo Legislativo, que também legisla sobre os limites do poder dos Juizes.

Com tanto poder nas mãos, supõem-se que os partidos políticos e toda a sociedade dessem mais importância às eleições para a composição do poder legislativo. Infelizmente, no nosso país, a prática é a sobrevalorização da eleição para o poder majoritário, ou seja, o executivo, com campanhas luxuosas e caras. Um indicador da subvalorização da eleição proporcional é o minúsculo tempo dedicado aos candidatos postulantes a uma vaga no legislativo, no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. Eles só tem tempo para dizer o nome e/ou apelido e o número. Em alguns casos, tem o minúsculo tempo reduzido mais ainda, pois precisam dizer o nome do candidato ao executivo. 


 

 

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