Comitê 9840 é lançado em Santos

Texto: Sandro Thadeu

Durante o período eleitoral, a sociedade santista está preparada para esclarecer a população e combater a corrupção, que pode acontecer por meio da compra de votos ou uso da máquina administrativa. Com esse objetivo, foi instaurado o Comitê 9840 na última terça-feira, dia 8, durante solenidade realizada na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), no Centro. O evento teve a participação de representantes de partidos políticos, candidatos a prefeito e a vereador, pessoas envolvidas em campanhas, além de demais interessados.

Em todo o Brasil, diversos locais como esse já foram lançados. Em Santos, a sede será na Estação da Cidadania, que fica na Avenida Ana Costa, 340, Campo Grande (antiga Estação Sorocabana). Nos próximos meses, o comitê promoverá atividades de educação política (debates, palestras e distribuição de materiais impressos) em escolas, comunidades religiosas, centros comunitários entre outros.

De natureza suprapartidária, a iniciativa tem por lema “Voto não tem preço, tem conseqüência” e é organizada pelo Fórum da Cidadania, OAB-Santos, Diocese de Santos, UniSantos, Movimento Voto Consciente e APAEP (Associação de Pais e Amigos de Escolas Públicas da Região Metropolitana da Baixada Santista).

O comitê 9840 recebe esse nome, devido à lei 9840 – sancionada em 1999 –, que foi o resultado de mais de 1 milhão de assinaturas coletadas em todo o território nacional, sob a organização de diversas entidades e movimentos sociais. O intuito é dar maior eficácia à Justiça Eleitoral na coibição ao crime de compra de votos ou uso de máquina administrativa.

Segundo o coordenador geral do Fórum da Cidadania, Célio Nori, a iniciativa está aberta a colaboração de outras organizações de Santos para ajudar a esclarecer a população. “Desde 2000, organizamos o comitê 9840 em nossa cidade e estamos modestamente dando a nossa contribuição para termos um processo eleitoral mais ético, transparente e democrático”, disse.

Cassações

Um dos participantes da solenidade foi o advogado especializado em Direito Eleitoral e representante do Movimento Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral, Luciano Santos. Segundo ele, mais de 630 políticos já foram cassados e mais de duas mil pessoas já colaboraram nos comitês de fiscalização espalhados pelo Brasil nos anos anteriores. “Um dos fatores positivos foi a criação de uma sinergia melhor entre a sociedade civil e o poder judiciário”, disse.

Santos explicou ainda que existem alguns desafios, como a aceleração do julgamento dos processos e tornar a legislação mais conhecida, além de outros projetos de lei que tentam evitar aplicações imediata do que está estabelecido na 9840. “O importante é que as pessoas estão mais atentas. Além dos comitês, até mesmo candidatos e representantes de partidos políticos estão mais policiados e também fazem denúncias”.
Além do advogado, também foram convidados para o evento os juízes eleitorais das zonas 118ª e 273ª, Selma Baldança Marques Guimarães e José Romano Lucarini, respectivamente. Na opinião da magistrada, a conscientização da sociedade é fundamental. “Os eleitores devem nos ajudar antes, durante e depois das eleições” e completou: “as pessoas precisam conhecer o candidato. Quem compra votos, não terá condições de representá-las com legitimidade”.

Já o magistrado da zona 273ª enfatizou que as propagandas eleitorais são um ingrediente a mais para tornar mais atrativa a festa durante os próximos meses e que a Justiça Eleitoral está ao lado de quem precise. Por outro lado, todos os casos serão analisados individualmente. “As denúncias podem ser infundadas ou picuinhas podem prejudicar o processo. Algumas irregularidades podem ser cometidas por desconhecimento da lei. É preciso ficarmos atentos a todo o momento”.

Veja como denunciar irregularidades no período eleitoral

 

Endereço: Av. Ana Costa, 340 (conflluência com a Av. Francisco Glicério) Tel.: 13-32212034