Debate sobre boom imobiliário chama atenção dos santistas

Texto e fotos: Sandro Thadeu

Mais de 200 cidadãos, entre estudantes, representantes de ONGs, profissionais liberais, dirigentes sindicais e lideranças comunitárias, compareceram no último dia 26 de março a mais um encontro do projeto Cidadania em Debate, organizado pelo Fórum da Cidadania de Santos, no auditório do campus D. Idílio da UniSantos. O tema “Grandes Empreendimentos Imobiliários: Prós e Contras para a Cidade” despertou a atenção dos participantes e da imprensa local, que divulgou e registrou esse importante debate em prol do município.

A abertura do evento foi feita pelo coordenador geral do Fórum da Cidadania, Célio Nori, que ressaltou a importância de incentivar essa discussão para toda a sociedade santista. “O tema é bastante complexo e transcende os envolvidos diretamente na questão. A nossa missão é fortalecer e ampliar o debate que se inicia hoje”.

Após o início dos trabalhos, o arquiteto José Marques Carriço explanou sobre os impactos das grandes torres residenciais e de uso misto que estão sendo construídas em Santos. Segundo ele, o processo de valorização imobiliária que ocorre nos últimos anos leva a expulsão dos moradores da classe média para áreas da Cidade onde o mercado é mais ativo.

Dessa forma, os moradores da Zona Leste, composta por bairros, como Campo Grande, Encruzilhada e Macuco, são obrigados a mudar para áreas mais carentes da Cidade ou até mesmo para outros municípios, como São Vicente e Praia Grande. “Os dados comprovam que esse processo (construção de grandes empreendimentos) tem sérias conseqüências para transportes, trânsito e meio ambiente”.

Uma forma de reverter o quadro previsto para o futuro é o controle de verticalização e grandes investimentos em transportes de alta capacidade, com o objetivo de desestimular o uso de automóvel e investimentos habitacionais junto aos eixos de transporte público.

Estatuto da Cidade

Além de Carriço, a representante da OAB no evento, Gislaine Magalhães, entende que existe a necessidade de se revisa o Plano Diretor e Lei de Uso do Solo de Santos, pois as alterações nessas legislações já foram feitas há mais de dez anos e ambas precisam se adequar ao Estatuto da Cidade, de um modo que a população participe de maneira democrática nesse processo.

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Geraldino Cruz Nascimento, explicou que o atual “boom” imobiliário não gera muitos empregos, ao contrário do que a maioria das pessoas imagina. Em 2007, foi registrada a contratação de apenas 325 empregados formais. De acordo com o sindicalista, isso se deve a utilização de mão-de-obra terceirizada, por parte das construtoras, o que contribui para o achatamento de salários do setor.

Audiência Pública

Para fechar o debate, a vereadora e presidente da CEV (Comissão Especial de Vereadores) sobre grandes empreendimentos imobiliários, Cassandra Maroni Nunes, disse que está está tramitando na Câmara uma revisão da Lei de Uso do Solo, de autoria do Executivo. Ela pediu aos santistas que se mobilizem para discutir essa legislação e convocou a todos a participar da audiência pública – organizada pela CEV –, que será realizada no próximo dia 15 de abril, às 15 horas, para tratar sobre o tema na Sala Princesa Isabel (Rua XV de Novembro, 103/109, Centro).


 

 

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