Os
trabalhadores e a Agenda 21
(*)
Marquito Duarte
O Sindicato dos Urbanitários, entidade representativa
dos trabalhadores da CPFL, CTEEP, Cetesb e Sabesp da Baixada Santista, Litoral
Sul e Vale do Ribeira, completou 65 anos de existência em 27 de maio de
2007 e comemorou essa data com a realização de vários eventos,
com destaque para a produção do documentário "Urbanitários
- Coração das Cidades", demonstrando que a questão ambiental
está no DNA dessa categoria. A celebração acontece paralelamente
às importantes discussões do Meio Ambiente e à reativação
da Agenda 21 em Santos, que é um processo de planejamento participativo
para o desenvolvimento sustentável das cidades.
A construção
da Estação de Tratamento de Água de Pilões em Cubatão
no final do século XIX e da Usina Henry Borden, que forneceu energia à
população da região por mais de 80 anos, além da genial
obra de Saturnino de Brito - os Canais de Santos, que completou 100 anos em agosto
- são marcas da relação dos Urbanitários com as questões
ambientais, porque foram obras fundamentais para a melhoria da qualidade de vida
dos santistas e desenvolvimento do porto. Entretanto, é preciso enfrentar
os novos desafios do século XXI e construir uma agenda com as forças
sociais da nossa cidade.
Até
pouco tempo, o Meio Ambiente deixou de ser um assunto abordado nos livros didáticos
para se tornar manchete dos principais meios de comunicação. Após
anos de esquecimento, hoje o tema é foco de importantes fóruns internacionais
e regionais, assim como motivo para a busca de possíveis saídas
visando solucionar os inúmeros problemas existentes devido à ação
do próprio homem. Sem dúvida, já era hora de Santos participar
dessa discussão, levando-se em consideração a capacidade
histórica de vanguarda nas lutas políticas e sociais.
O
lema principal da Agenda 21 "pensar globalmente e agir localmente" deve
ser focado de maneira intensa pelos professores durante as aulas, pelos meios
de comunicação, pelas associações de bairro, pelos
trabalhadores por meio dos sindicatos, ONGs e igrejas. Num piscar de olhos, os
problemas ambientais, que parecem acontecer somente em outros países ou
cidades, aos poucos começam a surgir em Santos, um exemplo é o excesso
de carros nas principais vias da cidade, que piora sensivelmente a qualidade do
ar, provocando diversas doenças respiratórias na população
de nossa região.
Portanto,
é necessário mobilizar os mais variados setores da comunidade santista
para se fazer uma discussão ampla sobre Meio Ambiente, desenvolvimento
sustentável e justiça social, pois de nada adianta pensar que vivemos
numa ilha de ilusão, onde está tudo as mil maravilhas. É
fundamental a apresentação de um relatório sobre as enfermidades
que se proliferam aos poucos em nosso município para se elaborar um diagnóstico
completo, visando à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos,
por meio do planejamento de ações e políticas adequadas.
Os Urbanitários, que celebraram os seus 65 anos de existência
resgatando o seu passado no presente, querem celebrar o futuro por meio da construção
de uma Agenda 21 que garanta uma bela passagem para o amanhã a todos os
cidadãos.
*Presidente
do Sindicato dos Urbanitários da Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do
Ribeira, coordenador e membro da executiva nacional da UGT (União Geral
dos Trabalhadores)