Você e o Plano Diretor

Célio Nori - Sociólogo e Assessor Técnico do Fórum da Cidadania de Santos


Início este texto com algumas perguntas. Você sabe o que é o Plano Diretor e qual a sua importância no contexto de uma cidade? - Você sabe que está em curso um processo de revisão do Plano Diretor de Santos e que tal revisão se dá a cada dez anos, de acordo com determinação legal prevista pelo Estatuto da Cidade?

A mais provável resposta da maioria das pessoas a esta indagação creio que seria mais ou menos assim: Plano Diretor ? - O que eu tenho a ver com isto? - Com tanta coisa com que me preocupar: emprego, contas a pagar, crise econômica, escola dos filhos, o carro novo que não consigo comprar e você me vem com essa . Pensa que eu não tenho mais o que fazer ? Esse negócio de Plano Diretor é coisa pra engenheiros, arquitetos construtores, tecnocratas e burocratas do governo que devem ser muito bem pagos para dar conta do assunto."

Pois bem, vou tentar convencer as pessoas que dariam respostas semelhantes a essas, sobre a necessidade da participação organizada dos cidadãos neste processo de elaboração do novo Plano Diretor da Cidade, em que pese a procedência dos mais diversos problemas que se colocam em nosso cotidiano.

Em primeiro lugar, é importante considerar que o Plano Diretor é o principal instrumento de planejamento da cidade, e portanto é ele que define os rumos atuais e futuros a serem traçados pela própria cidade.

É pouco? - então considere também o seguinte. O Plano Diretor é o instrumento que determina a distribuição territorial das funções da cidade: circulação, habitação, negócios, lazer e cultura, espaços livres, áreas de proteção de recursos naturais, expansão imobiliária e outras questões urbanas.

Tem mais: - no caso específico de Santos, o Plano Diretor tem muito a ver com o modo pelo qual a cidade e o porto devem se relacionar e, também como é que Santos vai se preparar para a nova realidade que se aproxima, ditada pela exploração de petróleo e gás da Baía de Santos, tida como uma das maiores reservas do mundo . E ainda mais importante: - todas essas questões de enorme complexidade econômica precisam ser compatibilizadas com a vocação turística da cidade e com a valorização e preservação de seu riquíssimo patrimônio histórico-ambiental.

Satisfeito? - Ainda não? - Então que tal refletir sobre as interfaces do Plano Diretor com as expectativas do conjunto da população, quanto às condições ideais de se viver a serem permanentemente conquistadas.. Não há dúvida de que o Plano Diretor resultante do atual processo de revisão, pelo momento estratégico que a cidade vive, terá forte impacto e enorme influência na qualidade de vida de todos: na minha, na sua, na de nossas famílias e nas gerações futuras.

Em suma, a nossa caminhada rumo a uma cidade justa, feliz e sustentável; orientada pela vontade política de promover a inclusão social que nos permita superar as injustificadas condições de desigualdade social são anseios que somente serão concretizados se formos capazes de gerar um Plano Diretor comprometido exclusivamente com o Interesse Público.

Ou seja, que o Plano Diretor, resultante de amplo processo participativo dos mais diversos segmentos e atores sociais da cidade, possa submeter todos os demais interesses individuais, grupais, corporativos, políticos e econômicos, por mais poderosos que sejam, aos valores e princípios de uma cidadania plena,
em termos de direitos e deveres, que garantam a prevalência da solidariedade, dignidade e respeito indistintos a cada pessoa que habite a cidade que deve ser de todos.

Uma última pergunta: É prudente deixar que os outros decidam por você sobre todas as questões abordadas sem que você tenha a oportunidade de se manifestar e apresentar suas opiniões e sugestões em relação ao novo Plano Diretor?

Bem, esgotei todos os meus argumentos. Espero, de algum modo ter sensibilizado o leitor. Neste sentido, àqueles que desejarem participar, aqui vão algumas dicas.

Os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Urbano e de Desenvolvimento Econômico de Santos, órgãos que receberam a delegação do Prefeito Municipal para conduzir o atual processo de revisão do Plano Diretor da cidade, estão promovendo oficinas e vão promover audiências públicas que serão realizadas em cada uma das macro-regiões da cidade, respectivamente nos meses de março e junho.

A Câmara Municipal, por meio de suas Comissões Permanente e Especial de Vereadores, mais diretamente relacionadas ao Plano Diretor, também irá promover audiências públicas sobre os mais significativos aspectos temáticos que deverão figurar no Plano Diretor.

No âmbito da Sociedade Civil o Fórum da Cidadania de Santos instalou recentemente o Comitê do Plano Diretor Participativo, sendo que a próxima iniciativa deste Comitê será a realização de um curso intensivo de capacitação e mobilização destinado a lideranças comunitárias, cidadãs e cidadãos interessados em participar ativamente e de forma articulada deste processo de revisão. O curso será constituído por doze encontros, duas vezes por semana, no período da noite nos meses de abril e maio.

Certamente. outras instituições também estão engajadas e igualmente vão oferecer contribuições para ampliar a participação cidadã nesta relevante tarefa comunitária. Informe-se e participe. A imprensa local, de modo especial A Tribuna, tem dedicado importantes espaços para a divulgação de iniciativas em relação a esta questão.

Para concluir, me vem à lembrança versos de uma canção do cantor e compositor Zé Geraldo, que diz assim: "Tudo isto acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos." - Peça licença aos pombos e apresente-se. O Plano Diretor e a cidade agradecem.


 

 

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